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Crônica da padaria II: O são-paulino sente saudades de Dagoberto. Ou não…

12 mar
Dagoberto ainda conta com o carinho de são-paulinos. Ele agradece. (Foto: Marcus Desimoni/UOL)

Dagoberto divide opiniões entre são-paulinos. (Foto: Marcus Desimoni/UOL)

Na tarde de ontem, o assunto na padaria da minha rua ainda era a vitória do São Paulo sobre o Corinthians no domingo. Na verdade, o assunto mesmo foi quem deveria ser o camisa 9 da Seleção Brasileira na Copa. E ao menos entre o funcionário da padaria e um rapaz que almoçava do meu lado por lá, o nome de Luis Fabiano era unânime. Hoje, porém, o Brasil deu lugar a outro tema. E quem pediu passagem nas discussões do balcão foi a Libertadores e seus personagens.

Na TV, ligada no Fox Sports, lances da derrota do Cruzeiro para o Defensor, do Uruguai, em jogo válido pela terceira rodada do grupo 5. Quando Dagoberto apareceu finalizando de bate-pronto um longo lançamento, um cara sentado próximo a mim logo lançou:

– Saudades do Dagoberto no São Paulo, viu. Gostava dele.

Mas a continuidade dos melhores momentos da Raposa seria cruel com o sentimento de saudade desse jovem. Na tela, pênalti para o Cruzeiro. Dagoberto caminha olhando só para o goleiro, desloca o mesmo e…

– Nooossssaaa! – foi o espanto do rapaz – em coro com o grupo de amigos – ao ver a bizarra cobrança pra fora do atacante, que desperdiçou a penalidade quando os uruguaios venciam por 1 a 0.

O cara parecia não nutrir mais qualquer carinho por ele. Esqueceu, passou. Foi-se embora a saudade. Para alguns, o pênalti perdido foi fruto do excesso de confiança no seu talento. Para outros, da displicência. Dualidade que, de certa forma, dividia as opiniões entre são-paulinos durante a passagem do jogador pelo Morumbi. Há sim mais tricolores no grupo dos que sentem falta dele, assim como outros mais também não sentem falta nenhuma.

Na padaria da minha rua, pelo menos hoje, a saudade de Dagoberto chegou e foi embora. Como atletas chegam e vão embora de clubes. Como pessoas chegam, compram seu pãozinho e vão embora de volta pra casa.

Que Álvaro Pereira chega ao SP? Um bom lateral em baixa

22 jan

Álvaro Pereira chega para reerguer sua carreira (Foto: Rubens Chiri / SPFC)

Álvaro “Palito” Pereira é mais um a chegar ao São Paulo com a missão de tomar conta da lateral esquerda e não sair mais. Depois do fracasso na tentativa de fazer o mesmo com o argentino Clemente Rodríguez – e a necessidade de reforçar um posto que é ocupado pelo limitado Reinaldo – o Tricolor foi buscar o uruguaio de 28 anos na Inter de Milão (ITA). Mas qual Álvaro Pereira chega ao Morumbi? A julgar pela temporada 2013/2014, um atleta em baixa tanto no clube como na seleção uruguaia.

Na Itália, Pereira amargava a reserva do japonês Yuto Nagatomo e vinha atuando muito pouco. Desde o início da última temporada europeia, entrou em campo somente sete vezes – em duas delas foi titular e jogou os 90 minutos. Com a camisa da Inter, somou 343 minutos (média de 49 minutos por jogo), apenas uma assistência, três cartões amarelos e um pênalti cometido no clássico do dia 5 de outubro do ano passado contra a Roma, no Giuseppe Meazza.

Ainda nesse período, o jogador recebeu seis convocações para a Celeste, mas só se apresentou diante da Jordânia no confronto de ida da Repescagem, partida que basicamente garantiu o Uruguai na Copa do Mundo com a vitória por 5 a 0. Pereira entrou aos 33 da etapa final e cruzou para o gol de “Cebolla” Rodríguez, o quarto do time.

Números e o desempenho recente não mentem. Álvaro Pereira chega para se reerguer e ganhar valiosos minutos de olho no Mundial do Brasil. No Tricolor, casa de Pedro Rocha, Pablo Forlán, Dario Pereyra e Diego Lugano, o lateral tentará manter a tradição de bons uruguaios para provar que ainda tem muita lenha para queimar.

Os jogos de Álvaro Pereira pela Inter na temporada 2013/2014:

– 18/8/2013: Inter 4 x 0 Cittadella (Copa da Itália) – Entrou aos 20 minutos do segundo tempo / Cartão amarelo
– 26/9/2013: Inter 2 x 1 Fiorentina (Serie A) – Entrou aos 40 do segundo tempo
– 29/9/2013: Inter 1 x 1 Cagliari (Serie A) – Jogou os 90 minutos
– 5/10/2013: Inter 0 x 3 Roma (Serie A) – Substituído no intervalo / Cometeu um pênalti em Gervinho, que originou o segundo gol da Roma, e ganhou amarelo
– 3/11/2013: Inter 3 x 0 Udinese (Serie A) – Entrou aos 23 do segundo tempo / Cartão amarelo
– 24/11/2013: Inter 1 x 1 Bologna (Serie A) – Entrou aos 24 do primeiro tempo
– 4/12/2013: Inter 3 x 2 Trapani (Copa da Itália) – Jogou os 90 minutos / Deu assistência para o gol de Belfodil, o segundo da Inter

No Brasil, quem se destaca na entrevista é um sul-africano

15 jan

Tyroane fala bem o português. Melhor que muito brasileiro jogando no profissional (Foto: Reginaldo Castro)

O São Paulo goleou na noite desta terça-feira o Nacional por 5 a 1 e se classificou às quartas de final da Copinha. Embora a atuação dos garotos são-paulinos – principalmente no primeiro tempo – tenha chamado a atenção, o que me prendeu o foco foi a entrevista após o jogo do atacante sul-africano e estreante na competição Tyroane Sandows, ao SporTV.

Em junho, fui ao CT de Cotia com uma equipe do LANCE! para entrevistá-lo e o português de Ty já era muito bom. Essa, inclusive, era uma preocupação nossa antes de ir ao CFA Laudo Natel. Em Barueri, ao responder às perguntas do repórter Felipe Brisolla, Tyroane parecia ainda mais preparado e fluente na língua. Mesmo sendo tímido, tem personalidade e fala melhor do que 90% dos jogadores brasileiros profissionais. Escala essa que varia de acordo com a boa vontade de quem avalia, já que 90% pode parecer um exagero.

Ainda, Ty atende com paciência, olha no olho e parece se sentir bem ao expressar para o jornalista aquilo que pensa. Diferentemente da maioria dos seus companheiros de Barra Funda (alguns, por acaso, saíram ontem de Cotia), que ganharam tanto quanto ele e se colocam no pedestal da marra. Claro que com o sul-africano se trata de um atleta da base, então a “necessidade” de aparecer é maior, uma vez que esses atletas estão com menos frequência na mídia. Entretanto, estar mais em evidência não dá aos profissionais o direito de atender tão mal e com tanta má vontade como geralmente fazem.

Tyroane é um daqueles que torcemos para que continue sendo quem é: genuíno. Aos que forem entrevistá-lo, podem esperar por uma boa conversa. Sincera, humilde, abrangente. Mais confiante, menos tímido e com o português ainda mais calibrado, a tendência é que só melhore.

Ty é um personagem, é diferente, merece destaque. E a impressão que ele passa é a de ter plena consciência disso.

Abaixo, os links da entrevista que fiz e a concedida ao SporTV:

Ao LANCE!

– Ao SporTV

Clemente ainda pode sonhar com a Copa. Mas precisa jogar

13 jan

Vaga na Copa do Mundo não é algo inatingível para Clemente (Foto: EFE)

Clemente Rodríguez foi um fracasso no São Paulo e isso aparentemente é de senso comum entre todos, sejam torcedores, jornalistas ou até dirigentes do próprio Tricolor. Contudo, apesar da péssima passagem do argentino pelo Morumbi, a Copa do Mundo ainda é um sonho palpável para o lateral-esquerdo, mesmo com menos de um semestre para garantir uma vaga no Mundial.

Pela Seleção Argentina, o jogador de 32 anos disputou ao todo 20 jogos. Desses, sete foram sob o comando de Alejandro Sabella, o que configura o atual técnico da albiceleste como o que mais o convocou desde que recebeu seu primeiro chamado, no amistoso contra Honduras, em janeiro de 2003. Ou seja, Sabella confia no futebol do ex-Boca Juniors, senão não o teria levado com certa frequência antes da desastrosa aventura no Brasil.

Clemente também é levado em conta para o posto de lateral-direito. Alternativa para a posição no caso de desfalques na esquerda, conforme fez atuando por Boca e Estudiantes (e até pelo São Paulo no Brasileiro-2013, contra o Atlético-PR), o jogador chegou a ser convocado durante as Eliminatórias para substituir Pablo Zabaleta, que não podia enfrentar o Equador por acúmulo de cartões amarelos. Na ocasião, ficou apenas no banco de reservas, mas não deixou de ser uma opção no caso de uma eventual lesão dos titulares naquela oportunidade: Peruzzi (direita) e Marcos Rojo (esquerda).

Marcos Rojo que também é um aspecto fundamental para que a chama de Clemente siga acesa visando à Copa. Isso porque o lateral-esquerdo titular da Argentina basicamente não tem concorrentes. Inclusive, a escalação de Rojo é questionada entre os hermanos, que não têm plena confiança na capacidade técnica do atleta do Sporting Lisboa. Em suma, se Rojo – que é titular – não é unanimidade, por que não pensar que o são-paulino pode beliscar uma vaga, nem que seja como suplente?

Embora conte com a confiança de Sabella, a concorrência no setor seja quase inexistente e seu passado vitorioso fale por si só, Clemente Rodríguez precisa jogar. Precisa de minutos para mostrar novamente a “Pachorra” que tem condições de vir ao Brasil na metade do ano e representar o seu país. Uma ida ao Lanús (o próprio jogador acenou com essa possibilidade), por exemplo, pinta como um ótimo cenário no momento, já que a equipe de Guillermo Barros Schelotto deve manter a boa base campeã da última Sul-Americana para a disputa da próxima Copa Libertadores.

O fracasso no São Paulo somado a um mau primeiro semestre de 2013 pelo Boca podem fazer com que o Mundial pareça inatingível para Clemente. Mas não é. E ser convocado depende mais dele do que qualquer outro fator.

Confira o retrospecto de Clemente na Seleção Argentina:

– 14/6/2013: Argentina 4 x 0 Guatemala – Amistoso – Alejandro Sabella
– 26/3/2013: Argentina 1 x 1 Bolívia – Eliminatórias – Alejandro Sabella
– 19/9/2012: Argentina 1 x 2 Brasil – Amistoso – Alejandro Sabella
– 9/6/2012: Argentina 4 x 3 Brasil – Amistoso – Alejandro Sabella
– 2/6/2012: Argentina 4 x 0 Equador – Eliminatórias – Alejandro Sabella
– 15/11/2011: Argentina 2 x 1 Colômbia – Eliminatórias – Alejandro Sabella
– 11/11/2011: Argentina 1 x 1 Bolívia – Eliminatórias – Alejandro Sabella
– 22/6/2010: Argentina 2 x 0 Grécia – Copa do Mundo – Maradona
– 24/5/2010: Argentina 5 x 0 Canadá – Amistoso – Maradona
– 3/3/2010: Argentina 1 x 0 Alemanha – Amistoso – Maradona
– 26/1/2010: Argentina 3 x 2 Costa Rica – Amistoso – Maradona
– 3/9/2006: Argentina 0 x 3 Brasil – Amistoso – “Coco” Basile
– 26/3/2005: Argentina 2 x 1 Bolívia – Eliminatórias – José Pekerman
– 13/7/2004: Argentina 4 x 2 Uruguai – Copa América – José Pekerman
– 7/7/2004: Argentina 6 x 1 Equador – Copa América – José Pekerman
– 30/3/2004: Argentina 1 x 0 Equador – Eliminatórias – José Pekerman
– 15/7/2003: Argentina 2 x 2 Uruguai – Amistoso – Marcelo Bielsa
– 7/2/2003: Argentina 1 x 0 Estados Unidos – Amistoso – Marcelo Bielsa
– 3/2/2003: Argentina 1 x 0 México – Amistoso – Marcelo Bielsa
– 30/1/2003: Argentina 3 x 1 Honduras – Amistoso – Marcelo Bielsa

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