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O Boca Juniors e sua relação com a Islândia (Ela existe!)

3 abr

“Veia latina, registro político-pinochetiano na abertura, matriz Beastie Boys, tributo brasileiro, ‘muito amor dentro do seu coração’, elogio ao futebol argentino (?!), Planet Hemp, Fuck You Puto, Molotov, e a internacional do saco cheio (o que será que é Quarashi?)”.

Assim o jornalista Fábio Massari, ex-VJ da MTV e Papa do conhecimento roqueiro, escreveu seu último parágrafo sobre o álbum Xeneizes da banda Quarashi, em seu livro Rumo à estação Islândia, que conta grande parte da rica e desconhecida história da música na terra da querida Björk – essa sim conhecida.

Quarashi

Capa de Xeneizes, segundo álbum da banda islandesa Quarashi

E como o ponto de interrogação seguido de outro de exclamação indica, nem Massari esperava que um grupo islandês fosse capaz, por razões geográficas e todas as outras (im)possíveis, de prestar uma homenagem ao futebol dos hermanos. Mais especificamente, aos “xeneizes”, nome dado aos torcedores do Boca Juniors e à obra da banda.

A explicação para tamanha bizarra relação é uma viagem do compositor e produtor do Quarashi, Sölvi Blöndall, à América do Sul em 1998, um ano antes do lançamento de Xeneizes. Acompanhando um amigo que fez intercâmbio em Buenos Aires, Blöndall foi convidado a assistir a um jogo do Boca em La Bombonera, aquela “que no tiembla, late”.

Impressionado com a energia emanada pelos cantos, pulos e punhos ao ar da hinchada boquense, o integrante do Quarashi passou a ser, além de bostero, um adorador do futebol argentino, levando a cultura e o calor absorvido dos torcedores portenhos para o hip-hop cantado (em inglês) pelos rapazes de Reykjavík.

O Boca de 98, com Riquelme ainda garoto

O Boca de 98, que encantou Blöndall, com Riquelme ainda garoto

De volta à fria capital, gravaram o álbum que se configuraria como seu segundo disco de ouro. Das 6 mil cópias produzidas, todas foram vendidas. Incrivelmente, esses números são expressivos para a Islândia. Não à toa, valem discos de ouro naquele – perdido –  pedaço de terra perto do Ártico. O sucesso da banda (e a não utilização do islandês, obviamente) os levou a fechar contratos com selos do porte de EMI e Columbia Records.

Que eu saiba, em seus 108 anos, nunca um islandês vestiu o uniforme azul y oro. Também, que eu saiba, e meu conhecimento sobre a Islândia é ínfimo, nunca um ex-Boca foi desfilar seu talento nas canchas de gelo islandesas. Mesmo assim, por mais que tudo isso pareça absurdo, o Boca Juniors e a Islândia têm mais a ver do que qualquer um de nós pode ou poderia imaginar. Obrigado ao Quarashi, ao Boca e a Fábio Massari por mais essa história.

Rumo à estação Islândia, livro do jornalista e ex-VJ da MTV Fábio Massari

Rumo à estação Islândia, livro do jornalista e ex-VJ da MTV Fábio Massari

Aqui, uma entrevista de Sölvi Blöndall a um portal argentino sobre o álbum e a adoração pelo futebol argentino.

Neste link, músicas do Quarashi do álbum Xeneizes. Banda canta em inglês e possui influências de Cypress Hill e Beastie Boys (não cabe a mim comparar).

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