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Que sucesso de Soubak possa dar uma luz ao nosso futebol

8 jan

Morten Soubak foi vitorioso e segue colhendo frutos. Por que não importar gente competente para o futebol também? (Foto: Cinara Piccolo / Photo&Grafia)

No fim do ano passado, a Seleção Brasileira de handebol feminino conquistou o inédito Mundial com um técnico dinamarquês no comando. Morten Soubak, que treina o Brasil desde 2009, conseguiu reverter seu conhecimento em resultado. Expert no assunto como quase todo profissional nórdico da área, trouxe uma cultura diferente para um esporte em que sobram no nosso país o material humano e a prática, mas não o conhecimento para transformá-lo em potência, e segue colhendo os frutos. Por que não importarmos experts também para o futebol?

Os brasileiros precisam parar de achar que só o DNA boleiro é suficiente para que possamos atingir o sucesso. Hoje em dia não há mais espaço para confiar apenas no histórico vitorioso ou no desenvolvimento espontâneo de craques. Cada vez se faz mais necessário o estudo, a atualização e um olhar mais amplo sobre futebol. Essa falta de amplitude e uma enorme soberba talvez tenham sido dois dos principais motivos pelos quais, já há algum tempo, não somos os melhores no mundo da bola.

Em 2012, com a saída de Mano Menezes da Seleção, levantou-se a possibilidade de substituí-lo por um treinador gringo. Mais especificamente, Pep Guardiola, que transformou seu Barcelona (que treinou de 2008 a 2012) em um dos melhores times da história do futebol. Porém, de acordo com o presidente da CBF, José Maria Marin, o espanhol não é nem unanimidade em seu país, que tem Vicente Del Bosque como técnico da Seleção. “Por que então traríamos ele?”, disse Marin, no início de 2013, ao SporTV.

A ignorância em relação ao futebol de fora não era/é exclusividade do mandatário da entidade que controla o futebol no Brasil. O técnico Muricy Ramalho, hoje no São Paulo, disse à época em que comandava o Santos que “só daria nota 10 para um treinador europeu se ele viesse treinar um time brasileiro e fosse campeão nacional”. Curiosamente nossos professores, inclusive os campeões nacionais, não conseguem se mostrar atraentes para o mercado internacional, mesmo provando – na ótica de Muricy – sua qualidade em um ambiente menos favorável. Por que isso? Porque não promovem mudanças, inovações. Simplesmente repetem tudo aquilo que já está mais do que saturado. Com raríssimas exceções, é claro.

Enquanto isso, o meio futebolístico segue abrindo portas para comandantes argentinos. No último fim de semana Juan Antonio Pizzi, campeão recentemente do Torneio Inicial com o San Lorenzo, estreou pelo Valencia. Na última terça, o mesmo Pizzi enfrentou o Atlético de Madrid de Diego Simeone, uma das melhores equipes da atual temporada europeia. Sem falar em Tata Martino, técnico do Barça. Ou seja, três dos maiores clubes espanhóis possuem hermanos liderando a comissão técnica. Na Copa do Mundo, três seleções deverão ter argentinos como técnicos: a própria Argentina, com Alejandro Sabella, a Colômbia, com José Pekerman, e o Chile, com Jorge Sampaoli. Brasileiro, apenas um: Luiz Felipe Scolari.

Alguém ainda acha que entendemos mais de futebol que os outros? Que o sucesso de um dinamarquês no handebol possa servir para o futebol brasileiro abrir o olho e descer do pedestal. Já passou da hora.

Craven Cottage: o ‘pop’ e charmoso estádio do Fulham

14 abr

Viajar para fora do Brasil é sempre uma ótima – e, talvez, a melhor – oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o futebol de um determinado país. Desde o comportamento dos torcedores no dia a dia até as diferentes camisas dos clubes vistas na rua e, claro, uma visita aos estádios dessas equipes. Na última semana, durante parte das minhas férias em Londres, tive a chance de visitar o modesto e charmoso Craven Cottage, estádio do também modesto Fulham, time do oeste da capital inglesa.

Hospedado em Chelsea, fui de ônibus até o bairro de mesmo nome do clube alvinegro. Desci daquele ponto turístico-vermelho-ambulante de dois andares, virei à direita e pronto: lá estava a inscrição “Fulham Football Club” ao fim da rua. À medida que fui me aproximando do local, aumentava o volume ecoado pelas caixas de som do estádio. Cheguei a pensar que, um dia após a morte de Margaret Thatcher, poderiam estar sediando algum tipo de homenagem ou evento relacionado ao falecimento da Dama de Ferro.

De longe já deu para avistar o "Fulham Football Club"

De longe já dava para avistar a inscrição “Fulham Football Club”

Engano meu. Perguntei a um segurança que andava pela rua o que acontecia ali dentro e me disse: “the first team is training”. Cheguei perto de uma das apertadas portinhas que dão acesso aos corredores das arquibancadas e uma funcionária do Fulham já me entregou um ingresso e um programa do “Open Training Day”. Estava explicado o porquê do microfone e o som emitido pelos auto-falantes. Sem saber – acompanhado da maior sorte do mundo obviamente – estava pisando no Craven Cottage para assistir ao único treino aberto aos fãs no ano!

Torcedores acompanham treino e alguns sortudos brincam com os atletas

Torcedores acompanham treino e alguns sortudos brincam com os atletas

Experiência sensacional tanto para mim, que nunca esperaria viver coisa parecida, quanto para muitas crianças, acompanhadas dos pais, que puderam ver os ídolos de perto. Além disso, pude presenciar e sentir de perto todo o charme que cerca o futebol inglês. Estádio pequeno e que quase se confunde com o restante das casas do bairro, conta também com o belo Rio Tâmisa passando atrás de uma das arquibancadas e, ainda, possui a arquibancada mais antiga da Inglaterra, a Johnny Haynes Stand, datada de 1905 (!!!). Sem contar a bizarra estátua do Michael Jackson, amigo do presidente Mohamed Al Fayed, que decora (?) as dependências do estádio. O Fulham é pequeno, mas não deixa de ser pop.

A horrorosa estátua de Michael Jackson no Craven Cottage

A horrorosa estátua de Michael Jackson no Craven Cottage

Visitar o Craven Cottage foi uma das coisas mais legais que o futebol me proporcionou na vida até hoje. Claro que ver a estátua de Thierry Henry pessoalmente é simplesmente imbatível, mas isso é assunto para um outro post ou até um livro, porque o francês merece.

O Fulham ganhou meu respeito e o meu carinho. Come on Whites!

O Craven Cottage (Johnny Haynes Stand) visto de fora

O Craven Cottage (Johnny Haynes Stand) visto de fora

Diz que é “apaixonado” por futebol, mas de fato é?

13 fev

Swansea City's Michu celebrates after scoring against Chelsea during English League Cup semi-final soccer match in London

A primeira vez que meu pai me levou para uma partida de futebol, saí do estádio com dois pensamentos bem latentes na cabeça. “Quero voltar logo”, foi o primeiro. E o segundo, que toma conta de mim até hoje, foi mais uma indagação: “como não gostar de futebol?”.

Desde então, o que naquele sábado era o princípio de uma enorme paixão, com o tempo se caracterizou como loucura, quase doença. Mas uma doença que, ao contrário de todas as outras, nunca me fez mal. Pelo contrário, o amor pelo futebol só me trouxe boas lembranças e, inclusive, me levou a fazer Jornalismo para poder transformar essa paixão em algo a mais do que ir na arquibancada.

Porém, certa decepção tomou conta de mim justamente quando comecei a me envolver com o esporte de forma mais profunda, específica. Passei a perceber – ou só sentir, espero – que são poucas as pessoas que, ao dizer que “são apaixonadas por futebol”, de fato sentem aquele sentimento que estão proferindo.  A paixão – ou o amor, como queiram – dessas pessoas se inicia no momento em que o árbitro apita e se encerra após os acréscimos da etapa final.

São 90 minutos de puro êxtase e intensa concentração. Depois, até que a próxima partida ou ‘data FIFA’ chegue, o fervor de outrora some, se dissipa junto da massa que caminha para fora do estádio ou das mãos que trocam de canal após a famosa rodada do domingo.

Gostar de futebol é mais do que isso. É mais do que ser torcedor, pois ser torcedor é gostar – para ser bem simplista – de um clube de futebol. O futebol está acima dos clubes. A paixão por ele como esporte está, portanto, acima do amor clubístico e da fidelidade a qualquer agremiação. Para aqueles que gostam realmente de futebol, bola rolando é mais do que 11 contra 11 ou zuação aos amigos na segunda-feira pós-clássico. É incorporar o futebol à sua vida – e não necessariamente a tudo o que você vá fazer nela!

Mais parece um problema de nós, brasileiros, gostarmos menos de futebol do que dizemos. A nós, o que importa é a vitória. 1 a 0 ou três pontos é sinônimo de alegria, enquanto para o verdadeiro apaixonado um medíocre 0 a 0 pode significar uma das coisas mais brilhantes que ele já vivenciou.

Futebol não é apenas torcer, assistir. É viver, entender, respirar. Dar a ele a devida importância, uma importância que vá além dos 90 minutos, do dia seguinte. É transformá-lo em parte integral da sua vida. E viva o futebol!

Os boleiros “astros” do rock

2 set

Alguma vez na vida você já sonhou em ser um jogador de futebol? Se fizermos essa pergunta a dez meninos, nove dirão que já sonharam em se tornar um craque – o décimo nunca sonhou, mas bem que gostaria. E aqueles garotos que gostam de rock? Um futuro cheio de guitarras, discos, shows e fama com certeza já passou pelas cabeças destes fãs de Bob Dylan, Led Zeppelin, Rolling Stones, etc. Porém, diante de tantos sonhos e sonhadores, privilegiados são aqueles que conseguem realizar o que eram dois de seus principais desejos profissionais de quando ainda eram pequenos: a bola e o rock. E não faltam exemplos por aí.

O goleirão Ronaldo, um dos maiores ídolos da história corintiana.

Ronaldo Giovanelli – Ronaldo, ex-goleiro do Corinthians e campeão brasileiro de 90 com o Timão, nunca se contentou muito com o fato de ter sido “apenas” um jogador de futebol (e diga-se de passagem, um ótimo goleiro). Em meados dos anos 90 o goleiro corintiano, fã incondicional de rock, resolveu montar uma banda e deu a ela o nome de Ronaldo e os Impedidos. Ronaldo tentaria emplacar nos palcos o mesmo sucesso que fez nos gramados. O maior sucesso do grupo, “O Nome Dela”, ganharia até um videoclipe que seria veiculado na MTV, fator fundamental para que a música se consagrasse como o maior – e único – hit dos roqueiros comandados pelo ex-goleiro. Após a banda ter sido extinta (retomada agora em 2011), o grupo foi ainda convidado para tocar na festa do Centenário do Corinthians no ano passado, ocorrida no Vale do Anhangabaú. Hoje, além de comentarista esportivo na RedeTV!, Ronaldo realiza também um programa junto do roqueiro e amigo Nasi (ex-Ira!) na rádio Kiss FM, especializada em rock. Confira no vídeo abaixo o sucesso “O Nome Dela”, de Ronaldo e os Impedidos:


Germán Burgos – O bom e velho rock and roll parece mesmo correr no sangue dos goleiros. Germán Burgos, o ex-goleiro argentino do River Plate, campeão da Libertadores com os milionários nos anos 90 – e sem sucesso na seleção -, resolveu entrar na mesma onda de Ronaldo e também partiu para o rock and roll. Sob o nome de Simpatia, a banda liderada pelo ídolo do River lançou seu primeiro álbum, em1999.

Burgos, com a vasta cabeleira de sempre, nos tempos de seleção argentina.

No mesmo ano, Burgos se transferiu para o Mallorca e mudou-se para a Espanha; mudou também o nome de sua banda, que passaria a se chamar The Garb. Ainda no Mallorca, Burgos já cogitava a possibilidade de se aposentar para cuidar exclusivamente da carreira musical, mas acabou se transferindo para o Atlético de Madrid, onde jogaria até o fim da carreira. Por fim, em 2004, Burgos se aposentaria do futebol com a camisa do Atlético e voltaria o foco todo para suas aspirações musicais. Um ano depois de deixar os gramados, Burgos e o The Garb lançariam o quarto e último álbum da banda. Atualmente, o ex-goleiro é auxiliar técnico do amigo e companheiro dos tempos de River e seleção Diego Simeone, treinador do Racing Club de Avellaneda, clube da 1ª divisão argentina. No vídeo abaixo, “Fasolera de Tribunas”, música de álbum homônimo lançado em 2000:

Alexi Lalas – O ruivo zagueirão norte-americano ficou marcado mundialmente pela Copa do Mundo de 94, sediada nos Estados Unidos. Lalas exibia um corte de cabelo, no mínimo, curioso. Somado a um enorme cavanhaque e boas apresentações no Mundial de 94, Lalas ganhou projeção internacional e foi inclusive jogar no futebol italiano, mais precisamente, no Padova.

Lalas e suas curiosas madeixas dos tempos de seleção norte-americana.

Além disso, o “figura” ganhou o status de primeiro ídolo estado-unidense no futebol (ou soccer, como eles chamam), esporte que até pouquíssimo tempo atrás só era valorizado pelos americanos na categoria feminina. E Alexi Lalas é daqueles que assim como os dois goleirões acima nunca se satisfez apenas como jogador de futebol. O zagueiro com pinta de roqueiro nunca escondeu – nem no visual – sua preferência musical e decidiu montar sua própria banda, os Gypsies, na qual era vocalista e guitarrista. Lançou dois álbuns com o grupo além de abrir também os shows da turnê européia da banda Hootie & the Blowfish, que fazia (considerável) sucesso na época – segunda metade dos anos 90. Ainda insistindo na carreira de roqueiro, Lalas lançou quatro discos solo; o último em setembro do ano passado (apenas disponível para download) entitulado”So It Goes”. Segue abaixo uma palhinha dos dotes artísticos do ex-zagueiro e capitão da seleção dos Estados Unidos:

Com esses roqueiros da bola, juntos, já daria para montar uma banda. Se fariam sucesso não dá para saber. Fato é que esses homens nunca conseguiram – nem de longe – repetir na música o sucesso que conquistaram como jogadores de futebol. No caso de alguns, era melhor até que ficassem apenas marcados e lembrados como “futebolistas” para a posterioridade. Por fim, não vi jogarem Ronaldo Giovanelli (na época apenas Ronaldo) e nem Lalas; me recordo pouquíssimo de Burgos, com vagas lembranças dele pela seleção argentina. Sinceramente, preferia tê-los visto em ação nos campos ao invés de conhecê-los mais pelos microfones ou com as guitarras nas mãos do que com a bola nos pés. Mas para aqueles que, como eu, gostam de curiosidades sobre o mundo da bola, e é claro de música também, não custa parar e ouvir por alguns minutos o pouco que cada um desses grandes roqueiros da bola têm a nos oferecer.

Futebol traduzido em arte

9 ago

Não, não estou falando do Barcelona. Pelo menos não no que remete à sua forma de jogar, fazendo o futebol parecer música, arte. Zoran Lucic, um artista bósnio apaixonado por futebol resolveu retratar em forma de pôsteres alguns dos maiores jogadores da história do futebol, provando que não são apenas os catalães que são bons na arte do futebol. E como é de se esperar, não deixou de fora Lionel Messi e seus companheiros/artistas do Barça. Confiram algumas belas imagens de seu projeto:

Lionel Messi, “o artista da vez”

El Pibe com a camisa argentina

Beckenbauer, “Der Kaiser”

Johan Cruyff ao lado do seu – tradicional – número 14

Zinedine Zidane, “o último elegante”

Você pode acessar outras imagens desse bósnio Louco Por Futebol em seu perfil(acesse o link) na página da Behance Network. Vale a pena dar uma olhada!

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