Arquivo | janeiro, 2014

Que Álvaro Pereira chega ao SP? Um bom lateral em baixa

22 jan

Álvaro Pereira chega para reerguer sua carreira (Foto: Rubens Chiri / SPFC)

Álvaro “Palito” Pereira é mais um a chegar ao São Paulo com a missão de tomar conta da lateral esquerda e não sair mais. Depois do fracasso na tentativa de fazer o mesmo com o argentino Clemente Rodríguez – e a necessidade de reforçar um posto que é ocupado pelo limitado Reinaldo – o Tricolor foi buscar o uruguaio de 28 anos na Inter de Milão (ITA). Mas qual Álvaro Pereira chega ao Morumbi? A julgar pela temporada 2013/2014, um atleta em baixa tanto no clube como na seleção uruguaia.

Na Itália, Pereira amargava a reserva do japonês Yuto Nagatomo e vinha atuando muito pouco. Desde o início da última temporada europeia, entrou em campo somente sete vezes – em duas delas foi titular e jogou os 90 minutos. Com a camisa da Inter, somou 343 minutos (média de 49 minutos por jogo), apenas uma assistência, três cartões amarelos e um pênalti cometido no clássico do dia 5 de outubro do ano passado contra a Roma, no Giuseppe Meazza.

Ainda nesse período, o jogador recebeu seis convocações para a Celeste, mas só se apresentou diante da Jordânia no confronto de ida da Repescagem, partida que basicamente garantiu o Uruguai na Copa do Mundo com a vitória por 5 a 0. Pereira entrou aos 33 da etapa final e cruzou para o gol de “Cebolla” Rodríguez, o quarto do time.

Números e o desempenho recente não mentem. Álvaro Pereira chega para se reerguer e ganhar valiosos minutos de olho no Mundial do Brasil. No Tricolor, casa de Pedro Rocha, Pablo Forlán, Dario Pereyra e Diego Lugano, o lateral tentará manter a tradição de bons uruguaios para provar que ainda tem muita lenha para queimar.

Os jogos de Álvaro Pereira pela Inter na temporada 2013/2014:

– 18/8/2013: Inter 4 x 0 Cittadella (Copa da Itália) – Entrou aos 20 minutos do segundo tempo / Cartão amarelo
– 26/9/2013: Inter 2 x 1 Fiorentina (Serie A) – Entrou aos 40 do segundo tempo
– 29/9/2013: Inter 1 x 1 Cagliari (Serie A) – Jogou os 90 minutos
– 5/10/2013: Inter 0 x 3 Roma (Serie A) – Substituído no intervalo / Cometeu um pênalti em Gervinho, que originou o segundo gol da Roma, e ganhou amarelo
– 3/11/2013: Inter 3 x 0 Udinese (Serie A) – Entrou aos 23 do segundo tempo / Cartão amarelo
– 24/11/2013: Inter 1 x 1 Bologna (Serie A) – Entrou aos 24 do primeiro tempo
– 4/12/2013: Inter 3 x 2 Trapani (Copa da Itália) – Jogou os 90 minutos / Deu assistência para o gol de Belfodil, o segundo da Inter

No Brasil, quem se destaca na entrevista é um sul-africano

15 jan

Tyroane fala bem o português. Melhor que muito brasileiro jogando no profissional (Foto: Reginaldo Castro)

O São Paulo goleou na noite desta terça-feira o Nacional por 5 a 1 e se classificou às quartas de final da Copinha. Embora a atuação dos garotos são-paulinos – principalmente no primeiro tempo – tenha chamado a atenção, o que me prendeu o foco foi a entrevista após o jogo do atacante sul-africano e estreante na competição Tyroane Sandows, ao SporTV.

Em junho, fui ao CT de Cotia com uma equipe do LANCE! para entrevistá-lo e o português de Ty já era muito bom. Essa, inclusive, era uma preocupação nossa antes de ir ao CFA Laudo Natel. Em Barueri, ao responder às perguntas do repórter Felipe Brisolla, Tyroane parecia ainda mais preparado e fluente na língua. Mesmo sendo tímido, tem personalidade e fala melhor do que 90% dos jogadores brasileiros profissionais. Escala essa que varia de acordo com a boa vontade de quem avalia, já que 90% pode parecer um exagero.

Ainda, Ty atende com paciência, olha no olho e parece se sentir bem ao expressar para o jornalista aquilo que pensa. Diferentemente da maioria dos seus companheiros de Barra Funda (alguns, por acaso, saíram ontem de Cotia), que ganharam tanto quanto ele e se colocam no pedestal da marra. Claro que com o sul-africano se trata de um atleta da base, então a “necessidade” de aparecer é maior, uma vez que esses atletas estão com menos frequência na mídia. Entretanto, estar mais em evidência não dá aos profissionais o direito de atender tão mal e com tanta má vontade como geralmente fazem.

Tyroane é um daqueles que torcemos para que continue sendo quem é: genuíno. Aos que forem entrevistá-lo, podem esperar por uma boa conversa. Sincera, humilde, abrangente. Mais confiante, menos tímido e com o português ainda mais calibrado, a tendência é que só melhore.

Ty é um personagem, é diferente, merece destaque. E a impressão que ele passa é a de ter plena consciência disso.

Abaixo, os links da entrevista que fiz e a concedida ao SporTV:

Ao LANCE!

– Ao SporTV

Clemente ainda pode sonhar com a Copa. Mas precisa jogar

13 jan

Vaga na Copa do Mundo não é algo inatingível para Clemente (Foto: EFE)

Clemente Rodríguez foi um fracasso no São Paulo e isso aparentemente é de senso comum entre todos, sejam torcedores, jornalistas ou até dirigentes do próprio Tricolor. Contudo, apesar da péssima passagem do argentino pelo Morumbi, a Copa do Mundo ainda é um sonho palpável para o lateral-esquerdo, mesmo com menos de um semestre para garantir uma vaga no Mundial.

Pela Seleção Argentina, o jogador de 32 anos disputou ao todo 20 jogos. Desses, sete foram sob o comando de Alejandro Sabella, o que configura o atual técnico da albiceleste como o que mais o convocou desde que recebeu seu primeiro chamado, no amistoso contra Honduras, em janeiro de 2003. Ou seja, Sabella confia no futebol do ex-Boca Juniors, senão não o teria levado com certa frequência antes da desastrosa aventura no Brasil.

Clemente também é levado em conta para o posto de lateral-direito. Alternativa para a posição no caso de desfalques na esquerda, conforme fez atuando por Boca e Estudiantes (e até pelo São Paulo no Brasileiro-2013, contra o Atlético-PR), o jogador chegou a ser convocado durante as Eliminatórias para substituir Pablo Zabaleta, que não podia enfrentar o Equador por acúmulo de cartões amarelos. Na ocasião, ficou apenas no banco de reservas, mas não deixou de ser uma opção no caso de uma eventual lesão dos titulares naquela oportunidade: Peruzzi (direita) e Marcos Rojo (esquerda).

Marcos Rojo que também é um aspecto fundamental para que a chama de Clemente siga acesa visando à Copa. Isso porque o lateral-esquerdo titular da Argentina basicamente não tem concorrentes. Inclusive, a escalação de Rojo é questionada entre os hermanos, que não têm plena confiança na capacidade técnica do atleta do Sporting Lisboa. Em suma, se Rojo – que é titular – não é unanimidade, por que não pensar que o são-paulino pode beliscar uma vaga, nem que seja como suplente?

Embora conte com a confiança de Sabella, a concorrência no setor seja quase inexistente e seu passado vitorioso fale por si só, Clemente Rodríguez precisa jogar. Precisa de minutos para mostrar novamente a “Pachorra” que tem condições de vir ao Brasil na metade do ano e representar o seu país. Uma ida ao Lanús (o próprio jogador acenou com essa possibilidade), por exemplo, pinta como um ótimo cenário no momento, já que a equipe de Guillermo Barros Schelotto deve manter a boa base campeã da última Sul-Americana para a disputa da próxima Copa Libertadores.

O fracasso no São Paulo somado a um mau primeiro semestre de 2013 pelo Boca podem fazer com que o Mundial pareça inatingível para Clemente. Mas não é. E ser convocado depende mais dele do que qualquer outro fator.

Confira o retrospecto de Clemente na Seleção Argentina:

– 14/6/2013: Argentina 4 x 0 Guatemala – Amistoso – Alejandro Sabella
– 26/3/2013: Argentina 1 x 1 Bolívia – Eliminatórias – Alejandro Sabella
– 19/9/2012: Argentina 1 x 2 Brasil – Amistoso – Alejandro Sabella
– 9/6/2012: Argentina 4 x 3 Brasil – Amistoso – Alejandro Sabella
– 2/6/2012: Argentina 4 x 0 Equador – Eliminatórias – Alejandro Sabella
– 15/11/2011: Argentina 2 x 1 Colômbia – Eliminatórias – Alejandro Sabella
– 11/11/2011: Argentina 1 x 1 Bolívia – Eliminatórias – Alejandro Sabella
– 22/6/2010: Argentina 2 x 0 Grécia – Copa do Mundo – Maradona
– 24/5/2010: Argentina 5 x 0 Canadá – Amistoso – Maradona
– 3/3/2010: Argentina 1 x 0 Alemanha – Amistoso – Maradona
– 26/1/2010: Argentina 3 x 2 Costa Rica – Amistoso – Maradona
– 3/9/2006: Argentina 0 x 3 Brasil – Amistoso – “Coco” Basile
– 26/3/2005: Argentina 2 x 1 Bolívia – Eliminatórias – José Pekerman
– 13/7/2004: Argentina 4 x 2 Uruguai – Copa América – José Pekerman
– 7/7/2004: Argentina 6 x 1 Equador – Copa América – José Pekerman
– 30/3/2004: Argentina 1 x 0 Equador – Eliminatórias – José Pekerman
– 15/7/2003: Argentina 2 x 2 Uruguai – Amistoso – Marcelo Bielsa
– 7/2/2003: Argentina 1 x 0 Estados Unidos – Amistoso – Marcelo Bielsa
– 3/2/2003: Argentina 1 x 0 México – Amistoso – Marcelo Bielsa
– 30/1/2003: Argentina 3 x 1 Honduras – Amistoso – Marcelo Bielsa

Equilíbrio na Liga, mas ampla vantagem culé recentemente

11 jan

Messi pode começar no banco neste sábado (Foto: David Ramos / Getty Images)

Empatados na liderança do Campeonato Espanhol com 49 pontos, Barcelona e Atlético de Madrid se enfrentam neste sábado, às 17h de Brasília, no Vicente Calderón, para definir quem ficará com o título simbólico do primeiro turno. Entretanto, se as equipes de Tata Martino e Diego Simeone protagonizam enorme equilíbrio no topo da tabela nesta temporada, o mesmo não se pode dizer do retrospecto recente entre elas.

Das últimas dez vezes em que se encontraram, os colchoneros venceram somente uma partida: um 2 a 1 em 14 de fevereiro de 2010, em Madri. Desde então, o Barça engatou uma sequência de seis triunfos seguidos, que só foram interrompidos com os dois empates válidos pela última Supercopa da Espanha, em agosto do ano passado – 1 a 1 no Calderón e 0 a 0 no Camp Nou, resultados que deram a taça aos catalães.

Ainda neste período de dez confrontos, Lionel Messi, que pode iniciar o duelo deste sábado no banco, anotou doze gols. Destaque para dois hat-tricks do argentino, marcados nos 3 a 0 de 5 de fevereiro de 2011 e nos 5 a 0 de 24 de setembro do mesmo ano.

Quatro brasileiros foram às redes nesta ‘mostra’ de dez partidas: Daniel Alves, duas vezes, Adriano, Miranda (contra) e Neymar. Em campo, a expectativa é de que seis atletas tupiniquins sejam titulares: Daniel Alves, Adriano e Neymar, no lado do Barcelona, e Miranda, Filipe Luís e o naturalizado espanhol Diego Costa, vice-artilheiro da Liga com 19 gols, um a menos que Cristiano Ronaldo.

Os últimos dez confrontos entre os atuais líderes do Espanhol:

– 28/8/2013: Barcelona 0 x 0 Atlético de Madrid – Supercopa Espanhola
– 21/8/2013: Atlético de Madrid 1 x 1 Barcelona – Supercopa Espanhola
– 12/5/2013: Atlético de Madrid 1 x 2 Barcelona – La Liga
– 16/12/2012: Barcelona 4 x 1 Atlético de Madrid – La Liga
– 26/2/2012: Atlético de Madrid 1 x 2 Barcelona – La Liga
– 24/9/2011: Barcelona 5 x 0 Atlético de Madrid – La Liga
– 5/2/2011: Barcelona 3 x 0 Atlético de Madrid – La Liga
– 19/9/2010: Atlético de Madrid 1 x 2 Barcelona – La Liga
– 14/2/2010: Atlético de Madrid 2 x 1 Barcelona – La Liga*
– 19/9/2009: Barcelona 5 x 2 Atlético de Madrid – La Liga

* Última vitória do Atlético sobre o Barça

Que sucesso de Soubak possa dar uma luz ao nosso futebol

8 jan

Morten Soubak foi vitorioso e segue colhendo frutos. Por que não importar gente competente para o futebol também? (Foto: Cinara Piccolo / Photo&Grafia)

No fim do ano passado, a Seleção Brasileira de handebol feminino conquistou o inédito Mundial com um técnico dinamarquês no comando. Morten Soubak, que treina o Brasil desde 2009, conseguiu reverter seu conhecimento em resultado. Expert no assunto como quase todo profissional nórdico da área, trouxe uma cultura diferente para um esporte em que sobram no nosso país o material humano e a prática, mas não o conhecimento para transformá-lo em potência, e segue colhendo os frutos. Por que não importarmos experts também para o futebol?

Os brasileiros precisam parar de achar que só o DNA boleiro é suficiente para que possamos atingir o sucesso. Hoje em dia não há mais espaço para confiar apenas no histórico vitorioso ou no desenvolvimento espontâneo de craques. Cada vez se faz mais necessário o estudo, a atualização e um olhar mais amplo sobre futebol. Essa falta de amplitude e uma enorme soberba talvez tenham sido dois dos principais motivos pelos quais, já há algum tempo, não somos os melhores no mundo da bola.

Em 2012, com a saída de Mano Menezes da Seleção, levantou-se a possibilidade de substituí-lo por um treinador gringo. Mais especificamente, Pep Guardiola, que transformou seu Barcelona (que treinou de 2008 a 2012) em um dos melhores times da história do futebol. Porém, de acordo com o presidente da CBF, José Maria Marin, o espanhol não é nem unanimidade em seu país, que tem Vicente Del Bosque como técnico da Seleção. “Por que então traríamos ele?”, disse Marin, no início de 2013, ao SporTV.

A ignorância em relação ao futebol de fora não era/é exclusividade do mandatário da entidade que controla o futebol no Brasil. O técnico Muricy Ramalho, hoje no São Paulo, disse à época em que comandava o Santos que “só daria nota 10 para um treinador europeu se ele viesse treinar um time brasileiro e fosse campeão nacional”. Curiosamente nossos professores, inclusive os campeões nacionais, não conseguem se mostrar atraentes para o mercado internacional, mesmo provando – na ótica de Muricy – sua qualidade em um ambiente menos favorável. Por que isso? Porque não promovem mudanças, inovações. Simplesmente repetem tudo aquilo que já está mais do que saturado. Com raríssimas exceções, é claro.

Enquanto isso, o meio futebolístico segue abrindo portas para comandantes argentinos. No último fim de semana Juan Antonio Pizzi, campeão recentemente do Torneio Inicial com o San Lorenzo, estreou pelo Valencia. Na última terça, o mesmo Pizzi enfrentou o Atlético de Madrid de Diego Simeone, uma das melhores equipes da atual temporada europeia. Sem falar em Tata Martino, técnico do Barça. Ou seja, três dos maiores clubes espanhóis possuem hermanos liderando a comissão técnica. Na Copa do Mundo, três seleções deverão ter argentinos como técnicos: a própria Argentina, com Alejandro Sabella, a Colômbia, com José Pekerman, e o Chile, com Jorge Sampaoli. Brasileiro, apenas um: Luiz Felipe Scolari.

Alguém ainda acha que entendemos mais de futebol que os outros? Que o sucesso de um dinamarquês no handebol possa servir para o futebol brasileiro abrir o olho e descer do pedestal. Já passou da hora.

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